Arquivos para a Categoria ‘Pratas da Casa’

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Na globalização, onde fica o Ser Humano?

Junho 21, 2008

A globalização da economia virou tema da moda. É tratada como um fenômeno novo, “recém-chegado” ao Brasil. Na verdade, a globalização já existe há muito tempo e esse processo talvez tenha se iniciado ainda com os fenícios, na antiga história. Na Brasil, seguramente, iniciou-se há mais de um século, com a abertura dos portos às nações amigas, feita no período colonial. Mas afinal, como é definida a globalização, hoje?Agregando as definições de vários autores, podemos dizer que a globalização é um processo de aceleração capitalista, num ritmo jamais visto, em que o produtor vai comprar matéria-prima em qualquer lugar do mundo onde ela seja melhor e mais barata, instala a fábrica onde a mão de obra fique mais em conta e vende seu produto para o mundo inteiro.Trás uma série de conseqüências, como empresas e produtos sem pátria (quem pode dizer que o tênis Reebok é mesmo americano?), desequilíbrios sociais, alteração na taxa de emprego, migração de fábricas, padronização cultural, tele-trabalho e várias outras. Poderíamos ficar horas (ou linhas) analisando cada conseqüência da globalização e podemos até nos posicionar favoravelmente ou contra ela. Só que não adianta ser contra ou a favor. Ela existe e está aí, cabendo à cada um de nós, cidadão e profissional, entendermos o fenômeno e atuarmos em consonância com esta nova realidade.

E o que é esta nova realidade?

É um mundo cada vez mais competitivo, os homens sendo substituídos pelas máquinas (e isso é bom partindo-se do princípio que trabalho que a máquina pode fazer não é mesmo para ser feito pelo homem), o emprego virando artigo raro, os produtos ficando mais baratos e com efêmera vida útil e outras tantas que já estamos vivenciando. A grande preocupação neste novo cenário é que a sociedade globalizada seja também uma sociedade de excluídos, numa forma ainda mais perversa do que a de hoje.

Uma grande parte da população mundial assiste a esse processo sem poder participar de suas vantagens. São ferramentas da produção globalizada mas não são cidadãos. Refiro-me àqueles que trabalham mais de 12 horas por dia e não recebem remuneração digna; àqueles que não conseguiram se qualificar para disputar espaço no mercado de trabalho e vivem à margem da vida; àqueles que perderam dois dos componentes essenciais para a plena existência: a dignidade e a esperança.

Sem querer julgar este ou aquele governante, vejo com extrema preocupação a atitude apática do poder público, que negligencia suas ferrementas de minimizar aos desfavorecidos o efeito perverso da globalização e assiste a tudo apaticamente, considerando-se impotente para atuar.

Não vejo solução viável para a humanidade enquanto muitos produzirem para poucos usufruirem. Estes poucos, cedo ou tarde, tornar-se-ão vítimas deste processo injusto e a felicidade então será mera utopia.

É preciso que os líderes deste país que almeja ser Nação elaborem com a sociedade um programa que vise melhor distribuição de renda, a geração de emprego e remuneração e, por fim, o equilíbrio social.

Não dá mais para tolerar trabalho escravo, prostituição infantil, gente sem casa e sem rumo.

Nosso país não pode reproduzir idéias que o mundo globalizado consagrou e, ao mesmo tempo, conviver com práticas que o mundo civilizado baniu há mais de um século. Nem pode imaginar que chegará ao século XXI carregando as mazelas do século XIX.

Jorge Mauricio de Castro é professor de pós graduação e Diretor da JMC Consultoria e Educação Corporativa. Contatos: jorgemc@terra.com.br

 

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Tem vaga, mas não tem profissional…

Junho 21, 2008

Trabalhar no mercado de desenvolvimento e seleção de profissionais tem sido uma experiência bastante estressante.

Por um lado, convivemos com um mercado de inúmeros profissionais com o currículo em mãos, sedentos por novas oportunidades de carreira, na busca de melhores salários e crescimento profissional.

Por outro lado, vemos Empresas buscando profissionais competentes, comprometidos com a carreira, que somem valores, pela criatividade, potencial técnico, bom relacionamento interpessoal, facilidade de comunicação, dentre outras competências almejadas.

O que nos impressiona é o resultado desta combinação: vagas não-preenchidas, por longos períodos (meses, e em alguns casos, anos), por falta de profissionais; e profissionais desempregados, por meses (ou anos), sem grandes chances de recolocação.

O que está acontecendo neste mercado? Há algo de bastante incongruente nessa realidade, visto que, a princípio, temos oferta e demanda suficientes para, ao menos, atender às duas partes interessadas: empresas contratando profissionais e nível de desemprego reduzindo.

Mas o que ouvimos, diariamente, é a reclamação de inúmeras empresas que não conseguem fechar suas vagas e a de profissionais que não conseguem empregos.

Podemos avaliar a situação por diversos ângulos:

1. O mercado não dispõe do volume de profissionais, técnica e comportamentalmente, aptos para as vagas abertas, por deficiência ou carência de Instituições profissionalizantes e de Empresas com modelos de gestão que gerem profissionais excelentes;

2. Muitos “profissionais” não estão dispostos a utilizar seu tempo para estudar e se desenvolver; têm “preguiça” mesmo, estão na busca de “emprego”, e não de verdadeiras oportunidades;

3. A velocidade de crescimento da economia no Brasil e especialmente em Mato Grosso, demanda por um volume de profissionais não-disponível no mercado, principalmente em carreiras técnicas;

4. Há excesso de profissionais qualificados para carreiras para as quais não há grande demanda.

Poderíamos citar outras situações, mas estas são as mais comuns.

O que fazer, então, para levar a Empresa ao crescimento diante deste cenário?

Como garantir que as oportunidades de negócio sejam aproveitadas com tamanha dificuldade em localizar profissionais no mercado de trabalho?

Claro que alternativas existem e podem também ser tentadas, quando o tempo é curto e precisa-se de respostas imediatas.

Para o contexto em análise, usa-se a estratégia de buscar pessoas em outros mercados do país, o que resolve a situação no curto prazo, mas, no médio e longo, gera rotatividade em virtude da dificuldade de adaptação do profissional a uma nova realidade sócio-cultural, em locais muitas vezes distantes da família.

Pode-se também usar da técnica “hunting”, que significa convidar pessoas que trabalham em Empresas concorrentes. Literalmente “caçar” talentos. O problema é que o hunting “inflaciona” o mercado e não é suficiente para uma realidade de alta demanda por profissionais. Isto porque, em síntese, não temos, no Brasil, o tipo de profissional desejado, empregado ou desempregado.

Como lidar com este cenário em um ambiente onde as perspectivas de crescimento para os próximos anos são tão otimistas?

A resposta ideal é: DESENVOLVER PESSOAS.

Desenvolver competências, então, é a resposta para um futuro consistente, pois quem deseja ser desenvolvido não tem vícios de outros modelos de gestão e está totalmente disponível para aprender e mostrar seu valor.

Claro que estamos falando de forma genérica, pois profissionais que querem ganhar dinheiro sem a contrapartida da competência e do comprometimento, aparecem em todos os níveis da carreira, inclusive de estagiários…

Empresas que desenvolvem seus funcionários conseguem gerar mão-de-obra para o seu próprio processo de crescimento e, ainda, contribuem para a melhoria sócio-econômica da população. Oferecem oportunidade de aprendizado para melhorar o nível cultural dos profissionais, ampliando perspectivas de carreira.

Por outro lado, desenvolver pessoas requer tempo, por isso precisa fazer parte de um projeto de médio-longo prazos, de forma a garantir a visão de futuro da Empresa.

Quem olha somente para os próximos seis meses, sem planejar aonde quer chegar daqui a alguns anos, pode estar caminhando para um resultado indesejado.

E, como diz o antigo ditado, quando não se sabe aonde se quer chegar, qualquer caminho serve.

 

Lorena Lacerda – Coach de Executivos

lorena@grupovalure.com.br