A globalização da economia virou tema da moda. É tratada como um fenômeno novo, “recém-chegado” ao Brasil. Na verdade, a globalização já existe há muito tempo e esse processo talvez tenha se iniciado ainda com os fenícios, na antiga história. Na Brasil, seguramente, iniciou-se há mais de um século, com a abertura dos portos às nações amigas, feita no período colonial. Mas afinal, como é definida a globalização, hoje?Agregando as definições de vários autores, podemos dizer que a globalização é um processo de aceleração capitalista, num ritmo jamais visto, em que o produtor vai comprar matéria-prima em qualquer lugar do mundo onde ela seja melhor e mais barata, instala a fábrica onde a mão de obra fique mais em conta e vende seu produto para o mundo inteiro.Trás uma série de conseqüências, como empresas e produtos sem pátria (quem pode dizer que o tênis Reebok é mesmo americano?), desequilíbrios sociais, alteração na taxa de emprego, migração de fábricas, padronização cultural, tele-trabalho e várias outras. Poderíamos ficar horas (ou linhas) analisando cada conseqüência da globalização e podemos até nos posicionar favoravelmente ou contra ela. Só que não adianta ser contra ou a favor. Ela existe e está aí, cabendo à cada um de nós, cidadão e profissional, entendermos o fenômeno e atuarmos em consonância com esta nova realidade.
E o que é esta nova realidade?
É um mundo cada vez mais competitivo, os homens sendo substituídos pelas máquinas (e isso é bom partindo-se do princípio que trabalho que a máquina pode fazer não é mesmo para ser feito pelo homem), o emprego virando artigo raro, os produtos ficando mais baratos e com efêmera vida útil e outras tantas que já estamos vivenciando. A grande preocupação neste novo cenário é que a sociedade globalizada seja também uma sociedade de excluídos, numa forma ainda mais perversa do que a de hoje.
Uma grande parte da população mundial assiste a esse processo sem poder participar de suas vantagens. São ferramentas da produção globalizada mas não são cidadãos. Refiro-me àqueles que trabalham mais de 12 horas por dia e não recebem remuneração digna; àqueles que não conseguiram se qualificar para disputar espaço no mercado de trabalho e vivem à margem da vida; àqueles que perderam dois dos componentes essenciais para a plena existência: a dignidade e a esperança.
Sem querer julgar este ou aquele governante, vejo com extrema preocupação a atitude apática do poder público, que negligencia suas ferrementas de minimizar aos desfavorecidos o efeito perverso da globalização e assiste a tudo apaticamente, considerando-se impotente para atuar.
Não vejo solução viável para a humanidade enquanto muitos produzirem para poucos usufruirem. Estes poucos, cedo ou tarde, tornar-se-ão vítimas deste processo injusto e a felicidade então será mera utopia.
É preciso que os líderes deste país que almeja ser Nação elaborem com a sociedade um programa que vise melhor distribuição de renda, a geração de emprego e remuneração e, por fim, o equilíbrio social.
Não dá mais para tolerar trabalho escravo, prostituição infantil, gente sem casa e sem rumo.
Nosso país não pode reproduzir idéias que o mundo globalizado consagrou e, ao mesmo tempo, conviver com práticas que o mundo civilizado baniu há mais de um século. Nem pode imaginar que chegará ao século XXI carregando as mazelas do século XIX.
Jorge Mauricio de Castro é professor de pós graduação e Diretor da JMC Consultoria e Educação Corporativa. Contatos: jorgemc@terra.com.br


